Entrevista do Mês - Dezembro - Binho Carcasci, promotor e organizador da Seletiva de Kart Petrobras


Binho Carcasci, promotor e organizador da Seletiva de Kart Petrobras, nestes 15 anos, relembra histórias, fala sobre a importância do projeto e seu futuro na entrevista deste mês.

1. Como surgiu a ideia da Seletiva? Quanto tempo demorou para ela sair do papel e virar realidade?
R.: Surgiu da vontade da Petrobras de apoiar o automobilismo de base, de que fosse algo que valorizasse principalmente o talento dos pilotos e do meu envolvimento com o kart. No meio de 1998, a Petrobras me pediu pra fazer um projeto e em seis meses tínhamos a base do que é hoje a Seletiva. Mas apesar de ela ser o sucesso que é, considero que ela nunca está pronta! Sempre estamos atentos pra trazer novidades ou mudar algo que não esteja indo bem.


2. Quais memórias você guarda do primeiro evento? Correu tudo como tinha sido planejado?
R.: Lembro muito bem da primeira etapa da primeira edição. Eram 26 pilotos, na Graduados A da época, em Interlagos. Foi emocionante colocar o projeto em prática. Durante as classificatórias, foi tudo como o planejado, na final também, mas percebemos ali que tínhamos que ter mais equipamentos para fazer a operação toda da final, com o sistema de sorteio de karts a cada entrada na pista, o que tornou tudo mais produtivo. Daí em diante fomos melhorando nossa estrutura.

3. Por quais mudanças o evento passou ao longo destes anos?
R.: Foram muitas, mas a ideia e o objetivo iniciais continuam os mesmos. Já tivemos final com 14 pilotos, fizemos final pra categoria Graduados B, quando ela ainda existia, passamos a adotar motores de 4 tempos, menos poluentes, fomos aumentando os prêmios, baixamos a idade ao longo do tempo, seguindo uma tendência mundial, enfim, como disse antes, a gente tenta estar atento pra manter a Seletiva atual, atraente para os pilotos e, principalmente, que continue servindo como apoio ao kart em todo o Brasil.

4. Na sua opinião, quais foram os momentos mais felizes e os mais difíceis da Seletiva?
R.: O mais feliz até agora foi nossa última final. Comemorar 15 anos consecutivos, de um evento patrocinado de kart, é motivo de muita alegria.
Os mais difíceis são todos aqueles em que ocorre uma falha em um dos nossos karts. Mesmo sabendo que os equipamentos são todos muito bem preparados, passam por manutenção constante, que são submetidos a exigências muito altas e que máquinas às vezes falham, quando acontece isso, me deixa realmente triste.

5. Teve alguma final que você considera a mais disputada de todas? Ou que o resultado te surpreendeu muito?
R.: A mais disputada sem dúvida foi a final em 2001, realizada em Tarumã. O Sergio Jimenez e o Julio Campos terminaram empatados nos pontos e o Sergio só ficou com o título pelo critério de desempate. Mas o resultado só foi decidido nas voltas finais da última corrida. O resultado que me surpreendeu foi o de 2012. Estava viajando muito e não acompanhei todos os campeonatos de kart no Brasil, então não conhecia bem o João Vieira. Quando começou a final e ele desde o início já se saiu bem, fiquei surpreso, principalmente porque ele era estreante em final da Seletiva e poucos pilotos se saem bem na primeira participação. Mas foi uma grata surpresa, porque ele é realmente
muito talentoso.

6. Como você avalia o projeto depois de 15 anos? Sente-se realizado? Ou falta realizar algo ainda?
R.: Continuo achando a iniciativa da Petrobras em apoiar o kart louvável e me sinto honrado de ser o promotor do evento que eles escolheram pra atingir seus objetivos com a base do automobilismo. Sinto-me realizado sim, mas continuo sempre buscando mais. Tenho a "mania" de pensar nos pilotos, no que pode ser bom pra eles, bom para o futuro deles. A Petrobras e a Petrobras Distribuidora têm muita paciência comigo, porque todo final de ano eu levo um novo projeto ou uma ideia nova pra Seletiva, buscando ajudar os pilotos!

7. A que você credita o sucesso e credibilidade do evento nestes 15 anos?
R.: Acho que o sucesso acontece porque a Petrobras está sempre atenta, me cobra pra que tudo saia como planejado, e nós todos da organização trabalhamos muito pra isso acontecer. A credibilidade foi conquistada com o passar dos anos, pois perceberam que entregamos tudo o que é proposto.

8. Como vê o kartismo no país ao longo destes anos? O que mudou, pra melhor e pra pior?
R.: O kart mudou bastante nesses anos, particularmente porque hoje em dia os pilotos começam a correr mais cedo e também saem mais cedo da modalidade. Se por um lado isso é bom porque segue o que acontece no mundo todo, também é ruim porque os pilotos não conseguem assimilar tudo que o kart pode oferecer em termos de aprendizagem de várias disciplinas do automobilismo, porque ainda não estão preparados pra isso por causa da idade. Ainda imaturos, e é natural que seja assim, a maioria ingressa nos monopostos sem ter conhecimento e base suficiente pra subir esse degrau.

9. A final deste ano teve pilotos bem jovens e foi bastante disputada. No final, a experiência do Olin Galli falou mais alto. Como avalia a 15ª edição?
R.: Isso está relacionado com o que eu disse antes. Os muito novos ainda não lidam tão bem com as emoções, e a Seletiva é muito exigente nesse sentido, não têm muito conhecimento técnico e por isso os mais experientes tendem a ter uma vantagem. Foi por isso que o João Vieira me surpreendeu no ano passado, mas ao mesmo tempo provou que os novos e "inexperientes", quando são bons, podem sim vencer.

10. E o futuro? Existem planos para algumas novidades já em 2014?
R.: Bem, tenho sinalizada a intenção da Petrobras e da Petrobras Distribuidora de seguir com a Seletiva. Estamos discutindo alguns planos
novos, que possam complementar o que já estamos fazendo, e espero poder divulgá-los em breve.