Entrevista do Mês - Fevereiro - Felipe Giaffone – Piloto e proprietário do Kartódromo da Granja Viana


 


O paulista Felipe Giaffone tem o DNA da velocidade. Atualmente na Fórmula Truck, onde é tricampeão, ele passou por importantes categorias, dentre elas a Fórmula Indy, e leva o sobrenome de uma das famílias tradicionais do esporte no país. O piloto também está à frente do kartódromo da Granja Viana, palco de importantes decisões da Seletiva de Kart Petrobras ao longo destes 15 anos.


Confira a entrevista exclusiva que Giaffone concedeu ao site da Seletiva.

 

1. A Seletiva de Kart Petrobras tem uma forte ligação com o kartódromo da Granja Viana, já que a sua primeira final, a comemoração de 10 anos e a decisão da edição de 15 anos, esta última recentemente, foram realizadas ai. Qual a importância para vocês desta parceria, que inclusive rendeu a continuidade do projeto socioambiental para reciclagem de lixo no kartódromo, após o GP Lubrax de 2013?


Quando a história da Seletiva com o kartódromo começou, eu não estava tão envolvido com o kartódromo, pois estava correndo fora do Brasil. Mas o trabalho sério que o Binho (Carcasci) sempre fez e o forte patrocínio da Petrobras tornaram o evento uma referência para os pilotos. E a Seletiva é importante não só pela parte da premiação, mas também por toda a parte social e ambiental que tem feito e onde fechamos essa parceria no ano passado. Para nós, é uma honra tê-los aqui e vamos estar sempre à disposição a ajudar quem realiza bons eventos para o kart e fomenta o kartismo no país.


2. Você é piloto, foi kartista e a família toda respira velocidade, sempre apoiando o esporte. No caso da Seletiva, como você avalia a importância do projeto para o kartismo nestes últimos 15 anos?


Acho muito bacana e o que o automobilismo precisa realmente é de algo que tenha continuidade e, nestes 15 anos, o kart passou por altos e baixos, o que é normal no automobilismo de uma forma geral, então é muito bacana ver esse compromisso que a Seletiva tem há tantos anos, oferecendo uma premiação importante e o que só acontece quando se tem grandes parcerias.


3. Como você vê o kart hoje no Brasil?


Acho que o kart já esteve melhor. Há uns cinco ou seis anos, tivemos uma boa transição, quando todos os motores passaram a ser refrigerados a água e tivemos uma grande inovação no regulamento. Mas, há uns dois anos, as coisas estão mais bagunçadas, principalmente na parte de motorização, regulamentação e o kart também vai muito de acordo com a economia do país. Isso fez cair um pouco a parte de competição, mas na parte de locação vai muito bem. Mas é normal ter essa queda nas competições e isso aconteceu proporcionalmente nos três campeonatos de São Paulo. Por isso, começamos a ir atrás de categorias bacanas, como a Rotax, mais acessíveis, que dê a chance de uma vaga num campeonato mundial, fugindo um pouco do regulamento nacional, que já é adotado nos outros dois campeonatos em São Paulo e sai mais caro para os pilotos.


4. O Kartódromo da Granja Viana é referência no kart nacional. Quais campeonatos vocês realizam hoje e, somando o público das competições, do corporativo e fãs do esporte, em média, quantas pessoas passam por ai no ano?


Bom, por ano, com locação temos em média 55 mil pessoas passando pelo kartódromo. Em competição, começamos este ano com cerca de 200 kartistas. Tirando o Brasileiro, o nosso campeonato é o maior em número de pilotos, até porque temos categorias não só para pilotos profissionais, mas também para aqueles que querem andar em um kart profissional, mas levam isso como um hobby, afinal o kart é a base de tudo e é muito importante também ter empresários e a massa em geral andando. Isso gera patrocínios, torna o kartismo mais conhecido. Até porque a parte de competição é pouco rentável, já que são pilotos que estão de passagem. Destes 200 kartistas, 50 ou 60 estão pensando em seguir carreira profissional e logo vão deixar o kart. Os outros 150 estão ali para se divertir. E eu mesmo tive a chance de correr fora do Brasil, chegar à Fórmula Indy, impulsionado por um empresário que gostava de kart, que foi o Flávio Andrade, presidente da Souza Cruz e que me patrocinou com a marca Hollywood na época.


Com relação às competições, temos aqui a Copa São Paulo de Kart, com 10 etapas, para kartistas profissionais. São 11 categorias, desde sete até 20 anos de idade, valendo vaga para campeonato mundial, com o mesmo regulamento da Rotax, que trouxemos há dois anos e meio para o Brasil. E temos os campeonatos voltados para o piloto amador.


Temos a preocupação de tentar deixar os karts de locação muito parecidos. Eles são testados todos os dias para deixar as diferenças menores. Temos 85 karts, 40 para o dia a dia e 45 mais especiais para o uso nos campeonatos amadores, onde eles querem uma qualidade melhor e também são os karts que eu levo para outros lugares, alugo para os nossos clientes usarem em Interlagos, Curitiba, etc. Temos três provas de endurance que fazemos, entre elas as 500 milhas amadora, onde vem gente do Brasil todo.


Hoje temos 92 funcionários só no kartódromo. Agora também estamos com uma pista no Shopping Tamboré, desde dezembro, como uma forma de já colocar as crianças em contato com o kart e já temos tido resultado com crianças vindo do shopping para a Granja. Ainda não é um negócio rentável, mas ajuda a popularizar mais o kart.


5. Um de seus filhos já está correndo de kart. Não é mesmo? Em quais campeonatos e categorias ele está correndo? Você incentiva? Como é ser pai de piloto? Já o imagina em uma final da Seletiva?


Sim, um deles está correndo a Rotax Micro Max, mas por enquanto estou bem tranquilo. Ele tem nove anos e está apenas começando. O engraçado é que eu ainda não estou fazendo muito o papel de pai de piloto. Estou tão preocupado com a organização de uma forma geral, que acabo me dedicando pouco para isso. Mas, sem dúvida, é bem diferente ver um filho correndo. O que eu quero agora é ver se ele está curtindo. Ele ainda é novo e quero que se divirta. Mas quem sabe um dia ele não estará na final da Seletiva, né? Imagina? Ai com certeza eu vou estar bem nervoso (risos).