Entrevista do Mês – Fevereiro – Felipe Massa – Piloto da equipe Williams Martini Racing na Fórmula 1

 

O paulista Felipe Massa se prepara para disputar sua 13ª temporada na Fórmula 1 este ano. Os bons resultados com a equipe Williams Martini Racing em 2014 empolgam o piloto e os fãs brasileiros. Massa, que recentemente encontrou os vencedores da Seletiva de Kart Petrobras 2014 na sede da equipe Williams, concedeu essa entrevista para o nosso site, falando um pouco sobre o kart, a temporada 2015 e o futuro. Confira!


1. Você começou sua carreira no kart, aos 8 anos, com os mesmos sonhos que muitos dos pilotos que participam hoje da Seletiva de Kart Petrobras. O que o kart representa pra você, quais são as melhores lembranças que tem desta época?

O kart é a principal escola dos pilotos, onde você passa em muitos casos a maior parte da carreira. Eu, por exemplo, só não fiquei mais no kart do que na Fórmula 1. Aprende-se muito no kart e acredito que a identidade do piloto seja forjada aqui. Depois, você vai lapidar o que aprendeu. Lembro com bastante carinho dessa época, das vitórias, dos campeonatos que disputei, do título paulista, do vice brasileiro. Também enfrentei momentos difíceis, mas é nestes que mais se aprende. Legal também é que nesta fase se corre pela paixão, porque ninguém é profissional no início da carreira.

2. Como está a sua expectativa para a temporada 2015 da Fórmula 1, principalmente depois de um final de campeonato tão bom como no ano passado?

Estou confiante, porque tivemos uma temporada acima de qualquer expectativa é só tendemos a melhorar. A equipe se reforçou tecnicamente, está entrando mais dinheiro pelo terceiro lugar no campeonato de construtores e com a chegada de novos patrocinadores. Claro que só vamos ter uma ideia real das condições de cada uma a partir da abertura do calendário, mas temos uma boa base que nos enche de esperanças já para os treinos antes da primeira corrida.


3. Quais conselhos daria para um piloto que está saindo hoje do kart e pretende chegar um dia na Fórmula 1?

Acreditar no seu potencial, aprender o máximo, mas, em primeiro lugar, ter muita humildade. É preciso ter sempre muita vontade de trabalhar, ter os pés no chão e querer sempre saber mais. Eu, depois de todos estes anos de Fórmula 1, sinto que ainda tenho ainda muito o que aprender. Quando falo aprender, quero dizer com todos, com os engenheiros, mecânicos, companheiros de equipe e até adversários. E não se deve nunca descuidar do condicionamento físico, que a cada dia é mais importante.


4. Na sua opinião, os pilotos brasileiros têm alguma dificuldade maior de iniciar a carreira no automobilismo saindo do kart rumo a F-1 do que pilotos da Europa?

Sim, porque têm de sair cedo de casa e encarar outra mentalidade, fora de casa e do país, quase sempre morando sozinho. O lado bom disso é que se adquire mais rapidamente uma experiência de vida importante, um aprendizado que os estrangeiros não têm.


5. Três dos pilotos vencedores da Seletiva de Kart Petrobras de 2014 tiveram a chance de te encontrar na sede da Williams Martini Racing em dezembro passado. Como você vê o trabalho que a Petrobras desenvolve com o projeto há 17 anos, apoiando o kartismo brasileiro?


Tenho acompanhado esse trabalho há tempo. Ela é muito importante, não apenas por incentivar a base do automobilismo, mas também, como vi nesta recente visita da garotada do programa a Williams, por já se preocupar com a continuidade. Dar a eles a oportunidade de conhecer outras categorias é um importante passo adiante. Num país sem uma divisão de acesso e pouco apoio ao automobilismo, a Petrobras está fazendo muito bem a sua parte.


6. No futuro, quando não estiver mais correndo na Fórmula 1, você pensa em voltar a competir no Brasil? Talvez na Stock Car?

Existem algumas categorias interessantes, sem dúvida, e a Stock Car é uma delas. A princípio, no entanto, eu gostaria de experimentar algo como o Mundial de Endurance na série principal dos protótipos, a LMP1. Se o grid fosse maior, com algo em torno de 18 carros, esse campeonato seria fortíssimo. A DTM é outro tipo de corrida que me agrada bastante.