FELIPE POLEHTTO DISPUTA O BRASILEIRO PENSANDO NO PRÊMIO DA SELETIVA

28/07/2005
Os esportistas em início de carreira costumam ter a falta de patrocínio como principal adversário. No kart, a principal categoria de base do automobilismo, não é diferente. Falta apoio para a carreira de muitos jovens talentosos, que acabam ficando no meio do caminho em razão das dificuldades financeiras. Para tentar solucionar uma parte deste problema foi criada a Seletiva de Kart Petrobras, que todos os anos coloca os melhores pilotos do Brasil em igualdade de condições e oferece um prêmio em dinheiro para o vencedor do desafio. O projeto já ajudou a carreira de gente como Danilo Dirani (hoje na Fórmula 3 Inglesa), Júlio Campos (líder da Stock Car Light), Sérgio Jimenez (campeão da F-Renault Brasileira em 2002) e Rafael Daniel (piloto da Stock Car Light). É com este tipo de ajuda que pilotos como Felipe Polehtto, da Graduados A, estão contando. Ele disputa neste fim de semana o Campeonato Brasileiro de Kart, em Ipatinga (MG), e está em busca do título não só por causa do prestígio da competição. Se ganhar o torneio nacional, o garoto de apenas 16 anos garante vaga na final da Seletiva de Kart Petrobras, marcada para dezembro, em Brasília (DF), para disputar um prêmio de R$ 77 mil. “Será uma oportunidade de enfrentar todo mundo em igualdade de condições e aí vai valer a habilidade de cada um. É um dinheiro que eu preciso muito e que pode garantir a minha temporada de kart no ano que vem. Para mim, é importante demais chegar na decisão da Seletiva”, afirma Polehtto. A maior conseqüência da falta de patrocínio para Felipe Polehtto fica evidente nos equipamentos que ele utiliza, sempre em inferioridade em relação aos adversários. “Tem piloto aqui que treina todos os dias, gastando até seis jogos de pneus por semana. É uma coisa irreal para mim. O máximo que posso usar é um por semana, quando consigo treinar”, revela o piloto, que mesmo em dificuldades vem superando adversários que têm orçamentos maiores. No treino de aquecimento para o Campeonato Brasileiro de Kart, na manhã desta quinta-feira (28), ele foi o mais rápido. Para se ter uma idéia dos custos do kart, um jogo de pneus para pista seca custa R$ 420 e dura no máximo 50 voltas, o suficiente para um único dia de treinos. Felipe Polehtto começou sua carreira em 1998 e faz a primeira temporada na Graduados A, a principal do kart. Sua conquista mais importante até o momento foi o Campeonato Paulista Light, em 2002. Neste fim de semana, ele disputa uma das duas vagas disponíveis para sua categoria na Seletiva de Kart Petrobras. As outras duas estão reservadas para pilotos da Graduados B, um degrau abaixo, que no fim da temporada também disputarão um cheque, de valor menor. Serão R$ 18 mil para investir na carreira. “O objetivo da Seletiva é exatamente este. Colocamos os pilotos em karts iguais e quem vence é sempre o melhor, porque não há a falta de equilíbrio provocada pelas diferenças de investimentos”, afirma Binho Carcasci, promotor da Seletiva de Kart Petrobras. As corridas do Campeonato Brasileiro de Kart começam nesta sexta-feira (29), com as duas primeiras baterias. As duas provas finais serão realizadas no sábado (30). Ao todo, são seis categorias na programação: Graduados A, Graduados B, Super Sênior, Sudam Júnior, Sênior A e Sênior B. Esta é a 40a edição do Campeonato Brasileiro de Kart.