PILOTO EQUATORIANO VEM AO BRASIL DISPUTAR O PRÊMIO QUE PODE MUDAR SUA CARREIRA

05/12/2005
Todos os anos, o Brasil tem pelo menos um ou dois pilotos batendo na porta das equipes de Fórmula 1. São jovens talentosos, com grande futuro pela frente. Uma situação que foge da realidade do automobilismo da América do Sul. Os números são muito claros: os brasileiros representam quase 46% dos sul-americanos que chegaram à categoria desde 1950. Todos os demais países do continente, incluindo a Argentina, têm sérias dificuldades para revelar pilotos em condições de fazer sucesso no exterior. O motivo é a falta de apoio financeiro, principalmente no momento de trocar as competições de kart pelos carros de corrida. É por este motivo que a Seletiva de Kart Petrobras começou a mexer também com os sonhos dos pilotos estrangeiros. Desde o ano passado, os representantes de outros países têm a chance de disputar um prêmio em dinheiro para investir na carreira. Nesta temporada, o classificado foi o equatoriano Fernando Cevallos, que garantiu sua vaga na etapa da Argentina (a única realizada fora do Brasil). Ele estará em Brasília (DF), nos dias 13, 14 e 15 de dezembro, disputando o cheque de R$ 70 mil oferecido ao campeão do evento e os R$ 7 mil destinados ao melhor estreante. Chegar à final da Seletiva de Kart Petrobras, superando o favoritismo dos argentinos, foi mais um passo da carreira bem planejada de Fernando Cevallos. Aos 16 anos de idade, ele deixou a cidade de Quito, no Equador, para morar em Buenos Aires, na Argentina. Ficar longe da família é o preço que o equatoriano paga pelo desenvolvimento profissional. Ele não teria a oportunidade de conhecer equipamentos tão bons e adversários de alto nível competindo no Equador. “Eu quero que ele se torne um kartista de elite”, afirma seu pai, Fernando Cevallos Mantilla. Pelo menos na elite do kart sul-americano, ele já chegou. Logo no primeiro ano morando fora de casa, o garoto impressionou a imprensa especializada na Argentina e chegou a testar um carro de Fórmula Renault. Fora das pistas, tem o suporte de Xavier Escalante, seu chefe de equipe, que conquistou o título panamericano da modalidade quando corria de kart. Fernando Cevallos conhece bem os concorrentes que vai encontrar na Seletiva de Kart Petrobras. Correu contra quatro deles no último panamericano: Sérgio Jimenez, Clemente Faria Jr, Rafael Suzuki e Claudio Cantelli. O maior problema para o equatoriano não são os adversários. É o equipamento, que ele nunca pilotou. O chassi Birel (na versão 2006) será novidade para todo mundo. Só que o motor Biland de quatro tempos e os pneus MG de tarja branca são uma incógnita ainda maior para Fernando Cevallos. Nem a pista de Brasília ele conhece. Para um piloto tão determinado, tudo tem solução. Ele quer vir ao Brasil um pouco antes da final para conhecer o circuito e treinar com o motor de quatro tempos, que tem reações absolutamente diferentes do propulsor de dois tempos, com o qual ele está acostumado. O garoto quer evitar surpresas: sabe que esta foi a maior dificuldade de Emanuel Bailheres, o representante estrangeiro na final do ano passado.