ENTREVISTA – Olin Galli – Campeão da Seletiva de Kart Petrobras 2013




Crédito: Fábio Oliveira



Em sua terceira participação, Olin Galli se destacou desde o início da competição e faturou o título da Seletiva de Kart Petrobras deste ano


Fã de Fernando Alonso e Ayrton Senna, o kartista carioca fala da dificuldade que é morar no Rio de Janeiro e treinar em São Paulo, critica o governo do seu Estado pela falta de apoio ao automobilismo e credita o título da Seletiva 2013 à experiência. O piloto, de 17 anos, também aproveita para comentar sobre os prêmios de 123 mil reais e o teste nos EUA. Além de um pouco de sua história, sonhos, hobbies, preparação antes das corridas e principais obstáculos na carreira e na Seletiva de Kart Petrobras de 2013.



1. Antes de faturar a Seletiva esse ano, você bateu na trave em duas oportunidades. O que faltou nas edições passadas e o que sobrou agora?
R. Bom, nas outras edições faltou um pouco de experiência e sorte, que foram muito importantes nessa edição. Com as experiências das outras edições, consegui conquistar o título.


2. Apesar de tudo ter dado certo, quais foram os principais obstáculos que você enfrentou durante a competição? Quem foram os maiores rivais?
R. Desde o início, eu sabia que seria muito difícil, afinal estavam disputando os melhores pilotos. Meus principais rivais foram o Pietro e o Matheus .


3. O que você pretende fazer com a premiação e com o prestígio adquirido após o título?
R. Pretendo investir na minha carreira no automobilismo e na minha vida pessoal, e com o prestígio adquirido, pretendo conseguir novos patrocínios.


4. Como está sua expectativa para teste nos Estados Unidos na F-2000?
R. Estou muito ansioso para o teste. Será minha primeira oportunidade fora do Brasil. Espero fazer um ótimo treino para me destacar lá fora e conseguir um patrocínio para ir adiante.


5. Como você avalia a importância da iniciativa da Petrobras e da Petrobras Distribuidora de apoiar o kart no Brasil?
R. Muito importante para o kartismo nacional, um apoio muito grande para o piloto que sonha sair do kart e ir para uma categoria de base. Seria importante que outras empresas tivessem essa iniciativa.


6. Com o formato de disputa da final da Seletiva de Kart Petrobras sendo diferente de outros campeonatos de kart, com karts sorteados cada vez que o piloto entra na pista e diversas atividades que visam premiar o talento, você acredita que a preparação dos pilotos deve ser diferente?
R. Bom, é muito difícil ganhar a Seletiva, isso todo mundo sabe. Não precisa ser diferente, o mais é se preparar bem e não ficar nervoso, ter a cabeça fria para calcular e ganhar seu adversário. Se concentrar bastante para não fazer nada de errado.


7. Como surgiu sua paixão por corridas? Alguém na família era piloto?
R. Desde de pequeno gostava muito de carros, todos meus brinquedos eram carrinhos. Meu pai me levou para andar de kart quando tinha 7 anos e desse dia em diante eu não parei mais. Mas na minha família não tem ninguém ligado a essa área, só eu mesmo.


8.Quais são suas maiores referências do automobilismo e o que eles contribuíram, até agora, na sua formação como piloto?
R. Bom, minha maior referência infelizmente não está mais aqui, que é o (Arton) Senna. Sou muito fã dele. Eu me espelho nele a cada corrida, a cada prova. Mas, na atualidade gosto muito do (Fernando) Alonso.


9. A grande maioria dos jovens pilotos tem como objetivo sentar no cockpit de um F-1. Você também vive esse sonho ou prefere trilhar outros caminhos no automobilismo?
R. Meu sonho é o de 90% dos pilotos, querer sentar no cockpit de um F-1. Mas aqui no Brasil falta muito investimento, a falta de visibilidade no início de carreira é muito grande, sem um canal de TV que tenha um programa voltado para o kartismo. Pretendo ser piloto de F-1 sim, mas tenho os pés no chão e sei o quanto será difícil , mas não vou desistir.


10. Você é o primeiro piloto carioca campeão da Seletiva. O Rio de Janeiro vive um momento difícil no esporte, sem um autódromo e poucos kartódromos. Na sua opinião, o que poderia ser feito para que o esporte tivesse mais representantes do estado?
R. Sinto muito orgulho em ser o primeiro carioca a vencer a Seletiva, porém triste em não ter onde correr na minha cidade. Fui tricampeão carioca quando corria num kartódromo no estacionamento de um shopping. Hoje, o kartódromo mais perto do Rio fica em Volta Redonda. Falta investimento e apoio por parte do governo. Tenho que sair do Rio para treinar em São Paulo uns três dias antes de qualquer competição que vou participar , e ainda assim consigo conquistar várias vitorias para minha cidade. Temos vários pilotos cariocas que também saem daqui para correr em São Paulo. Uma cidade como o Rio de Janeiro mereceria ter um autódromo e um kartódromo com campeonatos importantes, temos excelentes pilotos .


11. Além de pilotar, você tem algum hobby? O que gosta de fazer nas horas vagas?
R. Haha, jogar futebol. Jogava no futebol de base do Fluminense, meu time, mas parei porque é muito perigoso se machucar.


12. Que dica você deixaria para o jovem que gostaria de tentar ser piloto? Quais são os primeiros passos?
R. A dica é: nunca desista dos seus sonhos por mais difíceis que sejam. Os primeiros passos são: começar bem novinho com 7, 8 anos de idade e treinar bastante para que no futuro seja um bom piloto.