Entrevista do Mês – Fevereiro – Pipo Derani – atual campeão das 24 Horas de Daytona e piloto do FIA WEC





Ele foi finalista da Seletiva de Kart Petrobras em 2008 e, nesta temporada, realizou um grande feito ao vencer as 24 Horas de Daytona em sua estreia. Na entrevista deste mês, o paulista Pipo Derani fala sobre sua carreira, escolhas, a ida para o Mundial de Endurance da FIA e relembra os tempos do kart.



1) Você iniciou a temporada 2016 com um grande resultado, tornando-se o quinto brasileiro a vencer as 24 Horas de Daytona no geral. Quase um mês depois da conquista a ficha já caiu? Foi um mês muito intenso? Sentiu alguma mudança após a conquista? 

Janeiro de 2016 foi realmente um mês atípico. Acostumado a começar as atividades de testes a partir de fevereiro, esse ano começou bem cedo pra mim com os testes em Daytona logo na primeira semana de janeiro. Hoje quase um mês após a conquista a ficha já caiu sim e é muito legal pensar que com 22 anos já conquistei uma das maiores provas de endurance do mundo, mas continuo com os pés no chão e trabalhando pra conquistar muito mais. Se Deus quiser este é apenas o começo.


2) Você se tornou um novo exemplo para outros pilotos, mostrando que há diferentes caminhos a serem seguidos, que não seja a F-1. Como foi essa decisão pra você de deixar o sonho da F-1 e seguir para os protótipos? 

Terminar com o sonho da Formula 1 não foi algo extremamente difícil pra mim. Eu sempre tive uma grande certeza de que o automobilismo era o que eu queria pra minha vida, era o que eu queria como profissão então com a situação da Fórmula 1 nos últimos anos eu percebi que a única chance para me tornar profissional e viver do automobilismo eu teria que tomar um outro rumo. Não demorou muito pra eu começar nos protótipos e com certeza foi a melhor decisão que fiz na minha carreira. Para muitos pilotos é Formula 1 ou nada. Este não era o meu caso.


3) Atualmente, a Seletiva de Kart Petrobras oferece aos vencedores não só uma premiação em dinheiro, mas a participação em um programa de orientação, para que os pilotos conheçam um pouco mais do universo das corridas, antes de tomar decisões sobre o futuro. Inclusive oferece um teste no Mitsubishi Racing Experience, para que eles também tenham acesso a um outro tipo de carro, categoria. Você acha que ampliar as opções pode ajudar um piloto na sequência de sua carreira?
É muito comum que os pilotos que estão prestes a sair do kart para começar uma carreira nos carros pensem apenas na Fórmula 1 por serem ainda muito novos. Acho muito bacana mostrar a eles que existe vida além da Formula 1 sim. Dar a eles a oportunidade de conhecer novos horizontes fará com que vários pilotos tomem as decisões corretas em momentos "chave" da carreira. No automobilismo as janelas de oportunidades não ficam abertas por muito tempo e é extremamente importante não perder a oportunidade quando ela aparece. Se eu conhecesse algo além da Formula 1 e Indy com mais antecedência, com certeza teria feito a mudança um pouco antes.


4) Se pudesse mudar algo na sua carreira, você mudaria? O que? 

Faria tudo com mais calma e teria estudado minhas escolhas muito mais. Quando muito novo a gente quer subir muito rápido, mas isso tem um preço no futuro.


5) Você foi finalista da Seletiva de Kart Petrobras em 2008. Você se lembra da disputa? 

Lembro sim, ser finalista naquele ano foi muito bacana mesmo que o resultado final não tenha sido muito bom. Era muito novo e disputei com pilotos muito mais experientes que eu, pilotos graduados mas que de certa forma contribuíram pro meu crescimento profissional.


6) Quais as principais memórias que tem do kart na sua vida? Você ainda anda de vez em quando? 

Faz um bom tempo que não ando de kart, mas sinto muita saudades. O kart foi o começo de tudo e é muito importante na vida de qualquer piloto. É ali que muitos jovens já sabem o que querem para a vida, que experimentam o sabor da competição e da vitória e que de certa forma começam a abdicar de muitas coisas pra viver aquele sonho. O kart me trouxe obviamente muita experiência como piloto e me ensinou o quanto competir é difícil, mas o mais importante de tudo foi o quanto me fez crescer como pessoa, mesmo desde muito pequeno.


7) Para um piloto brasileiro que está na categoria Graduados no kart e pretende ingressar no automobilismo, com o sonho da F-1, que categoria e em que país você acha que ele deveria iniciar esta etapa da carreira nos monopostos?

Acredito que o Toyota Racing Series na Nova Zelândia é um ótimo campeonato para o piloto começar. O nível é alto e o campeonato é intenso por um mês inteiro fazendo com que o piloto entre rapidamente no ritmo por bem ou por mal. Se o piloto puder adicionar este campeonato de verão a uma Formula 4 na Inglaterra, na minha opinião, seria o melhor programa possível para um primeiro ano nos carros. O piloto precisa do máximo de quilometragem possível no começo para começar o segundo ano já com bons resultados.


8) Quais conselhos daria para um piloto que está hoje no kart e pensa seguir carreira no automobilismo? 

Estude muito quais são as suas opções pensando em um futuro mais lá na frente. É muito comum fazer escolhas ano a ano e depois chegar lá na frente, olhar pra trás e ver que poderia ter feito um planejamento diferente. Tenha bem claro em sua cabeça se você quer viver do automobilismo ou se a única opção é realmente a Fórmula 1, pois sabendo isso ficará muito mais fácil na hora de fazer uma mudança de planos podendo até ter uma grande influência financeiramente durante a sua carreira.