Entrevista do Mês – Abril – Rogério Gonçalves, Engenheiro Sênior e Consultor Sênior em Esporte Motor da Petrobras




 

 

Confira a entrevista exclusiva do engenheiro da Petrobras, falando sobre suas histórias na companhia, a paixão pela área de atuação e por automobilismo, além do trabalho na Fórmula 1.


1. Foram 11 temporadas na Fórmula 1, entre 1998 e 2008, quatro anos de ausência e a Petrobras retorna este ano à categoria. Quais os desafios para a Petrobras neste novo projeto, especialmente com as novas regras, como a limitação de combustível?

Na verdade, foram cinco anos afastados da F1 como parceiros de uma equipe e fornecedores de produtos. São vários desafios, não só pelo novo regulamento técnico de 2014, mas também um novo regulamento técnico de combustível que está valendo desde 2010. O novo motor é um fator bastante diferente para a F1 e a perfeita interação com o combustível é de suma importância para um bom desempenho. Também os lubrificantes de motor e câmbio devem ser cuidadosamente desenvolvidos junto com os fabricantes para garantir a durabilidade dos equipamentos.


2. Ter um piloto brasileiro como titular (Felipe Massa) e um piloto de testes e reserva (Felipe Nasr) contribuiu para o retorno da Petrobras à categoria ou já havia um plano de retorno?

De alguma forma a presença de brasileiros na equipe dará uma maior visibilidade à equipe e isso só aumenta a responsabilidade da Petrobras de garantir à equipe o melhor desempenho possível. No entanto, só soubemos da presença dos pilotos brasileiros recentemente e a discussão da parceria com a Williams durou meses, portanto, não houve qualquer influência da existência dos pilotos brasileiros na decisão.


3. Pelo início da temporada, com tantas novidades, o que você espera das disputas este ano na Fórmula 1? O campeonato será mais equilibrado?

Desde o início dos testes da pré-temporada, identificou-se que os motores Mercedes estavam mais avançados no desenvolvimento para 2014 com tempos melhores, mais voltas realizadas e menos interrupções com paradas na pista. Provavelmente as equipes com motores Mercedes devem levar alguma vantagem nesse início de temporada, mas devemos ficar atentos, pois na F1 ninguém está parado e evoluções podem ocorrer a qualquer momento.


4. Você é um dos principais executivos da Petrobras no que se refere a combustíveis, mas também é referência para quem acompanha automobilismo. Como surgiu sua paixão pelo esporte?

No início, não era nem uma paixão pelo esporte, mas sim pela tecnologia envolvida. No final dos anos 70, início dos anos 80, atuei várias vezes como auxiliar de bandeira no autódromo de Jacarepaguá assistindo das pistas e boxes corridas de Stock e força-livre. Foi o meu primeiro contato com o automobilismo e que me deu oportunidade de frequentar os boxes e começar a tomar gosto pela engenharia mecânica. Tudo em troca de um sanduíche gelado e um refrigerante quente, mas que teve sua compensação. Isso coincidiu com o auge dos pilotos brasileiros na F1 e o início do curso de engenharia mecânica. Entrei para a Petrobras exatamente para trabalhar em um setor de ensaios em motores no Centro de Pesquisas. Em 1994, a Petrobras criou uma Comissão de Esporte motor para avaliar as oportunidades de entrada da empresa no automobilismo de competição. Fui indicado como representante do Centro de Pesquisas nessa Comissão que, em 1998 decidiu pela entrada da Petrobras na F1. Não posso reclamar da sorte.


5. Nestes anos, trabalhando pelos autódromos, quais foram os momentos mais marcantes para você?

Foram muitos momentos marcantes. Grandes alegrias e desenvolvimento de produtos na F3 Sul-americana com as equipes Cesário e PropCar. Emoções fortes na F-3000 com as vitórias de Ricardo Zonta e Bruno Junqueira e um sonho realizado de ver a equipe Petrobras Jr na F3000. A primeira corrida na F1 com gasolina Petrobras foi um momento marcante. Isso aconteceu em Silverstone em 1998. A partir daí foram vitórias, novos produtos com melhor desempenho, alguns acidentes, alguns sustos com a gasolina, a vitória de (Juan Pablo) Montoya no GP Brasil, etc.


6. Recentemente, você finalizou um mestrado e realizou uma pesquisa sobre o consumo dos brasileiros na área de combustíveis. Como foi todo este trabalho e as principais conclusões?

Foram duas pesquisas realizadas. Uma sobre os combustíveis utilizados pelo público, seu conhecimento sobre gasolinas e suas preferências. Isso deu origem a um Plano de Marketing completo que foi apresentado à banca e hoje encontra-se a disposição para uso da área de marketing da Petrobras. A segunda pesquisa foi sobre o patrocínio de uma empresa de petróleo à F1, com fornecimento de produtos e a visão do público que acompanha automobilismo sobre isso. A conclusão é que esse público conhece as empresas que estão na F1, sabe quais estão fornecendo produtos e, mais importante, valorizam as empresas que participam da tecnologia da F1 e não são meramente patrocinadores.


7. A Seletiva de Kart Petrobras completa este ano 16 edições. Como você avalia a importância do torneio para a Petrobras e para o automobilismo de base no Brasil?

É um grande orgulho para a Petrobras estar junto da Seletiva de Kart por todos esses anos. Normalmente os grandes talentos que estão no Kart dependem muito de seus patrocínios pessoais para sobressair na carreira e a Seletiva de Kart Petrobras permite a esses jovens pilotos mostrar seus talentos e buscar um prêmio que ajudará a alavancar suas carreiras assim como dar visibilidade. É importante para o Brasil ter esse suporte numa categoria inicial do automobilismo, dando oportunidade a todos os pilotos e tentando descobrir novos pilotos que poderão se tornar grandes ícones do automobilismo nacional.


8. Você anda de kart ou prefere praticar outro esporte nas horas vagas?

Eu não ando de Kart, até já andei, mas sou um péssimo piloto :-). Meu esporte preferido é a corrida. Também pratico natação e dou umas pedaladas, mas tudo de forma amadora. O objetivo é sempre relaxar e cuidar da saúde. Apenas nas corridas eu exagero um pouquinho, já tendo participado de algumas meia-maratonas.